15.3.13

Marco Feliciano e o (des)Respeito.

Arley Felipe Amanajás
arley_amanajas@hotmail.com

Fevereiro e Março começaram atípicos no tocante a cena política nacional. Fevereiro foi marcado por protestos contra o senador Renan Calheiros, que assumiu a presidência do senado federal no lugar de José Sarney envolto a denuncias de corrupção, originando varias manifestações populares pelo Brasil, como atos nas ruas, greves de fome e uma petição assinada por 1,6 milhões de brasileiros que pediam a renuncia de Renan Calheiros da Presidência do Senado.

Já março tem um novo antagonista na política do Congresso. O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) é alvo de protestos por causa de declarações polêmicas nas redes sociais e em seus cultos contra negros, homossexuais, católicos e religiões de matriz africana.
A eleição do deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados está causando polêmica e revolta em todo o Brasil. Acusado de homofobia e racismo por defensores de direitos de homossexuais e negros, ele recebeu 11 dos 12 votos dos parlamentares da bancada evangélica, um a mais do que o mínimo necessário para ser eleito.

Entre outras manifestações no mínimo absurdas do deputado, estão as frases escritas no twitter: “Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato.” (Via twitter. 31/03/2011); “Quem deve mostrar ao mundo o certo e o errado, o pecado e a santidade é a igreja, os cristãos, não a política” (Via twitter 18/01/2013); Alem de frases como: “A AIDS é o câncer Gay” (Congresso de Gideões e Missionários em Setembro de 2012). Porém a declaração que deixou este articulista perplexo foi proferida em um culto presidido pelo deputado, disponível no Youtube: “É a ultima vez que eu falo. Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Ai não vale. Depois vai pedir o milagre para Deus e Deus não vai dar. E vai falar que Deus é ruim.”

Não estou com isso, menosprezando a igreja evangélica no Brasil, pois ao contrario do deputado, fui ensinado que Deus acima de tudo é amor. Com este pequeno texto, pretendo analisar politicamente a eleição desta figura a uma Comissão tão importante não só para o Congresso, mas principalmente para as minorias, que como mostra as manifestações transcritas acima, o deputado não possui a mínima consideração.

Existe um ponto similar entre a repudia contra o senador Renan Calheiros e a que esta ocorrendo contra o deputado Marco Feliciano, um ponto em comum que está se tornando praxe em todos os escândalos políticos: O envolvimento e a mobilização das pessoas com a mesma idéia nas redes sociais. Nas principais redes (Twitter e Facebook), é comum ver uma grande quantidade de pessoas assinarem petições, compartilharem imagens, trocarem informações sobre os casos citados, discutindo sobre os acontecimentos.

Porém, a efetivação destes debates em práticas contra a corrupção ou a transferência desses protestos do mundo virtual para o real é o calcanhar de Aquiles deste “movimento”, tema que vai ser discutido em outro momento.

A primeira sessão presidida pelo deputado Marco Feliciano, foi como se esperava, um verdadeiro tumulto. Antes mesmo do início da sessão, manifestantes pró e contra o pastor Feliciano ocupavam lugares na comissão. A todo instante, o deputado Marco Feliciano era interrompido por gritos de ordem dos manifestantes contrários a sua permanência na presidência da comissão. Por diversas vezes, ele ameaçou retirá-los do plenário. “Aqui não tem laia. Respeitem para ter respeito”, disse o deputado.

Respeito. É impressionante como uma palavra pode ter várias interpretações. Quando dita por uma autoridade, soa como uma imposição de Poder, de ordem. Porém quando pronunciada por uma minoria explorada, tem som de clamor, chega aos nossos ouvidos com o tom de solicitação. Quando a vemos sendo pronunciada na periferia, quase sempre existe um “por favor”, automaticamente ligado.

Respeito que aparentemente não falta só ao pastor Marco Feliciano, mas como a boa parte de seus colegas da bancada evangélica e ao PSC, que se recusa a indicar outro nome para assumir a presidência desta comissão.
Na primeira sessão presidida pelo pastor, os trabalhos transcorriam dentro de certa normalidade, com alguns protestos de populares, quando o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi até o local onde estavam os manifestantes LGBT e apresentou um papel com a frase “queimar rosca todo o dia”. A reação foi imediata, e seguranças tiveram que impedir um confronto.

É impressionante até que ponto chega o desrespeito por parte das autoridades no Brasil. Não basta ser aquele desrespeito “comum”, de não cumprir sua obrigação e praticar atos de corrupção, hoje no Brasil o povo está tão desmoralizado que é ofendido diretamente por deputados, que ainda são protegidos por seguranças pagos com dinheiro público.

Artigo postado no site do jornalista Correa Neto, Disponível em: http://www.correaneto.com.br/site/espaco/39447 

Um comentário:

Jàina Primo disse...

Boas palavras, camarada!
;)