15.4.13

"A PEC da Impunidade e a Usurpação do Poder Investigatório do Ministério Público.”



Um dos assuntos mais comentados hoje no Brasil é a Proposta de Emenda Constitucional numero 037/2011, a famigerada PEC 37. Com esse artigo irei tentar explicar como essa discussão teve inicio e se ela realmente é do interesse da população brasileira, ou não.

A polêmica sobre o tema nasce na constituição. A Constituição da República não conferiu expressamente ao Ministério Público a possibilidade de investigar infrações penais, tal prerrogativa estaria inserida de maneira implícita no dispositivo que confere ao Ministério Público a titularidade da Ação Penal, artigo129, inciso I. Além deste ponto, o Brasil é signatário de acordos internacionais sobre o tema, e a aprovação da PEC 37 iria ferir diretamente estes acordos, como o da criação do Tribunal Penal Internacional.
Já os Delegados de polícia afirmam que a Constituição concedeu exclusivamente, a polícia judiciária, ou seja, da Polícia Federal e das Polícias Civis dos Estados e a do Distrito Federal o direito de fazer todas as investigações criminais. Enfim, o palco encontra-se armado para um grande debate sobre quem investiga os crimes no Brasil.
Na prática, a aprovação no congresso desta PEC cercearia os poderes de investigação do MP, e a quem isso interessa? Quem lucra com o afastamento do Ministério Público da investigação dos crimes? Quem se beneficiaria com a exclusividade da investigação nas mãos da Polícia?
A resposta é simples. Vejamos os casos aqui no Amapá, a quem preocupa tanto o MP investigar crimes se não os nossos ilustres deputados e chefes do poder executivo?
A partir do momento em que o Ministério Público local passou a exercer com rigor o seu direito de fazer investigações, vários crimes de corrupção foram escrachados para a sociedade amapaense, inclusive o presidente da Assembleia Legislativa Moises Souza e o primeiro secretario Edinho Duarte foram afastados dos seus respectivos cargos, através de investigações e denúncias de práticas de corrupção feitas por membros do parquet.
Isso não é uma realidade somente do estado do Amapá, mas com absoluta certeza o Ministério Público em vários estados exercem seu papel de custus legis, ou seja, fiscal da lei. Quem tem a ganhar com a aprovação da PEC 37 são exatamente essas pessoas: os lideres de grandes quadrilhas infiltradas nas mais altas esferas do Poder com o único fim de se apropriar indevidamente da riqueza do povo.
Infelizmente os Delegados de Polícia não possuem autonomia para proceder a investigação contra pessoas com influência no poder executivo, já que na hierarquia governamental, o chefe do executivo, no caso o Governador do Estado, pode transferir ou alocar um delegado em outra delegacia do território do estado, caso ele venha a investigar algum crime que o governador ou algum deputado ou secretário influente não aprove, ou esteja envolvido. Os membros do MP gozam da autonomia, inamovibilidade e da independência necessária para combater os atos de corrupção, pois não estão subordinados hierarquicamente a nenhum dos três Poderes: executivo, legislativo e judiciário.
Atos de improbidade já ocorrem com uma frequência absurda no Brasil, imaginem agora o congresso retirando agentes fiscalizadores do exercício do Poder, pois órgãos como o IBAMA, COAF, Receita Federal e Previdência Social também perderão seus poderes investigatórios, e quem são investigados por estes entes estatais: o cidadão que rouba um botijão de gás ou o politico que desvia milhões?
Como represália e tentativa de alertar a população e ainda pressionar os senhores deputados e senadores do Amapá a votar contra a aprovação da PEC, o Ministério Publico do Amapá juntamente com a Procuradoria da Republica no Amapá, bem como a Comissão Pastoral da Terra – CPT/AP, o Sindicato dos Policiais Federais e movimentos de combate à corrupção, irão fazer um ato de repudio contra a PEC 37 nesta sexta feira, dia 12 de abril, na Praça da bandeira, a partir das 09h. É imprescindível o comparecimento da população para protestar contra a usurpação de poder de um órgão que tem como premissa básica a defesa da sociedade e o combate a impunidade generalizada no Brasil.
 Arley Felipe Amanajás

(Artigo publicado no Site do Jornalista Correa Neto)

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