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Fevereiro e Março começaram atípicos no tocante a cena
política nacional. Fevereiro foi marcado por protestos contra o
senador Renan Calheiros, que assumiu a presidência do senado federal no
lugar de José Sarney envolto a denuncias de corrupção, originando varias
manifestações populares pelo Brasil, como atos nas ruas, greves de fome e uma
petição assinada por 1,6 milhões de brasileiros que pediam a renuncia de Renan
Calheiros da Presidência do Senado.
Já março tem um novo antagonista na política do Congresso. O
deputado Marco Feliciano (PSC-SP) é alvo de protestos por causa de
declarações polêmicas nas redes sociais e em seus cultos contra negros,
homossexuais, católicos e religiões de matriz africana.
A eleição do deputado federal e pastor Marco Feliciano
(PSC-SP) para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos
Deputados está causando polêmica e revolta em todo o Brasil. Acusado de
homofobia e racismo por defensores de direitos de homossexuais e negros, ele
recebeu 11 dos 12 votos dos parlamentares da bancada evangélica, um a mais do
que o mínimo necessário para ser eleito.
Entre outras manifestações no mínimo absurdas do deputado,
estão as frases escritas no twitter: “Africanos descendem de ancestral
amaldiçoado por Noé. Isso é fato.” (Via twitter. 31/03/2011); “Quem deve
mostrar ao mundo o certo e o errado, o pecado e a santidade é a igreja, os
cristãos, não a política” (Via twitter 18/01/2013); Alem de frases como: “A
AIDS é o câncer Gay” (Congresso de Gideões e Missionários em Setembro de 2012).
Porém a declaração que deixou este articulista perplexo foi proferida em um
culto presidido pelo deputado, disponível no Youtube: “É a ultima vez que eu
falo. Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Ai não vale. Depois
vai pedir o milagre para Deus e Deus não vai dar. E vai falar que Deus é ruim.”
Não estou com isso, menosprezando a igreja evangélica no
Brasil, pois ao contrario do deputado, fui ensinado que Deus acima de tudo é
amor. Com este pequeno texto, pretendo analisar politicamente a eleição desta
figura a uma Comissão tão importante não só para o Congresso, mas
principalmente para as minorias, que como mostra as manifestações transcritas
acima, o deputado não possui a mínima consideração.
Existe um ponto similar entre a repudia contra o senador
Renan Calheiros e a que esta ocorrendo contra o deputado Marco Feliciano, um
ponto em comum que está se tornando praxe em todos os escândalos políticos: O
envolvimento e a mobilização das pessoas com a mesma idéia nas redes sociais.
Nas principais redes (Twitter e Facebook), é comum ver uma grande quantidade de
pessoas assinarem petições, compartilharem imagens, trocarem informações sobre
os casos citados, discutindo sobre os acontecimentos.
Porém, a efetivação destes debates em práticas contra a
corrupção ou a transferência desses protestos do mundo virtual para o real é o
calcanhar de Aquiles deste “movimento”, tema que vai ser discutido em outro
momento.
A primeira sessão presidida pelo deputado Marco Feliciano,
foi como se esperava, um verdadeiro tumulto. Antes mesmo do início da sessão,
manifestantes pró e contra o pastor Feliciano ocupavam lugares na comissão. A
todo instante, o deputado Marco Feliciano era interrompido por gritos de ordem
dos manifestantes contrários a sua permanência na presidência da comissão. Por
diversas vezes, ele ameaçou retirá-los do plenário. “Aqui não tem laia.
Respeitem para ter respeito”, disse o deputado.
Respeito. É impressionante como uma palavra pode ter várias
interpretações. Quando dita por uma autoridade, soa como uma imposição de
Poder, de ordem. Porém quando pronunciada por uma minoria explorada, tem som de
clamor, chega aos nossos ouvidos com o tom de solicitação. Quando a vemos sendo
pronunciada na periferia, quase sempre existe um “por favor”, automaticamente
ligado.
Respeito que aparentemente não falta só ao pastor Marco
Feliciano, mas como a boa parte de seus colegas da bancada evangélica e ao PSC,
que se recusa a indicar outro nome para assumir a presidência desta comissão.
Na primeira sessão presidida pelo pastor, os trabalhos
transcorriam dentro de certa normalidade, com alguns protestos de populares,
quando o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi até o local onde estavam os
manifestantes LGBT e apresentou um papel com a frase “queimar rosca todo o
dia”. A reação foi imediata, e seguranças tiveram que impedir um confronto.
É impressionante até que ponto chega o desrespeito por parte
das autoridades no Brasil. Não basta ser aquele desrespeito “comum”, de não
cumprir sua obrigação e praticar atos de corrupção, hoje no Brasil o povo está
tão desmoralizado que é ofendido diretamente por deputados, que ainda são
protegidos por seguranças pagos com dinheiro público.
Artigo postado no site
do jornalista Correa
Neto, Disponível em: http://www.correaneto.com.br/site/espaco/39447
Um comentário:
Boas palavras, camarada!
;)
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