O Brasil vive hoje um momento de consolidação da nossa iniciante
democracia. Um dos fatores que mais me chama a atenção atualmente é como as
leis vigentes no país são totalmente desrespeitadas pelos que deveriam mais
ardentemente defende-las: as pessoas que figuram no alto escalão do Estado e
detentoras do poder político.
A revolução
francesa trouxe em seu lema: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" o
que no Direito chamamos de Gerações de direitos fundamentais. Hoje abordarei o
direito à Igualdade, não a econômica, mas sim
perante a lei, apesar delas estarem intimamente ligadas e ao meu ver,
indissociáveis, pois nunca haverá uma sem a outra.
Parece-me que a constituição criou direitos e
regras que não se aplicam a todos. Vou tomar como exemplo o caput do artigo 5° da constituição
federal: “Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade”. Vamos nos atentar a primeira parte do
artigo: " Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza", ora amigos, como assim? Será mesmo que nos somos iguais e que o
Estado trata a todos da mesma maneira?
Se analisarmos a letra da lei, desfocada do
contexto social Brasileiro, podemos até imaginar um país onde se preze por este
principio fundamental da democracia, porém um dos exemplos mais claros desta falta de
igualdade de tratamento entre os cidadãos é o foro especial por prerrogativa de
função, ou o direito de determinadas pessoas serem julgadas por tribunais
diferenciados. Por exemplo, um senador da republica ou deputado federal, caso
cometa algum crime de responsabilidade, só poderá perder o seu mandato quando
julgado pelos seus pares, ou seja, quem julga um deputado ou senador são os
próprios senadores e deputados e ainda por cima, contando com o voto secreto.
Ora
amigos, é claro que o voto secreto é usado para blindar os políticos dos olhos
de quem deveria ser seu maior fiscalizador, o povo. Esta é uma pratica suja e
antidemocrática, se os deputados e senadores são os nossos representantes,
porque nos não podemos saber se eles votaram ou não pela cassação de um corrupto?
Sim, as funções publicas de alta importância do
Estado devem ser asseguradas, porém o que vemos hoje é uma total deturpação das
destas funções e instituições públicas, onde o foro especial por prerrogativa
de função é usado como sinônimo de impunidade e descaso com o povo brasileiro,
principalmente pelas pessoas que deveriam ser nossos representantes.
Os
defensores do foro especial argumentam que ele é constitucional e garantia para
que o político possa exercer a sua função com segurança. Sim, é verdade que a
função de deputados, sejam eles estaduais ou federais assim como senadores da
republica são de suma importância para a democracia e devem ser asseguradas, mas
asseguradas não significa dizer que são imunes, principalmente a vontade do
povo, que deveria ser soberana.
O que não podemos
esquecer é que a Constituição Federal não nos foi revelada por uma entidade
sobrenatural, onipotente e onisciente, pelo contrario, foi feita e promulgada
pelos mesmos políticos que se encontram hoje no poder. A verdade é que eles
fizeram as suas garantias, seus direitos e seus deveres.
Sendo
assim, hoje não há de se falar em igualdade jurídica ou legal entre os cidadãos
brasileiros. Ao pensar sobre o tema, veio a mente a celebre frase do livro “A
revolução dos bichos”, do escritor inglês George Orwell, adaptado também para o
cinema, onde o escritor faz uma critica ao sistema político stalinista na União
Soviética: “Todos nós somos iguais, mas há uns mais iguais que outros”.
Enquanto
o povo brasileiro permitir que o poder que concede à alguns cidadãos seja usado
de forma egoísta e desumana, em prol de uma minoria enquanto outros sofrem a
vida toda para sustentá-los, nunca haverá democracia no Brasil. Assim como não
há hoje.
Arley Felipe Amanajás
Artigo Publicado no Jornal do Dia e no Site www.correaneto.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário